Capítulo XII

O meu quinto, sexto e sétimo artigo de Artista para Artista do Capítulo XII foram escritos para estimular a mente criativa através da capacidade imaginativa. Em essência, o artigo “Imaginação é a chave para o teu Éden” é dividido em duas partes, sendo ambas cautelosamente desenhadas para todo e qualquer artista: desde pintores a realizadores, a advogados, músicos, matemáticos, chefes de cozinha a actores; para todos aqueles que se encontram genuinamente interessados em fazer uso da sua imaginação através da própria fonte de criatividade (o seu jardim de éden) e aplicar essa forma de viver no seu quotidiano.

O artigo “Imaginação é a chave para o teu Éden” bem como todo e qualquer outro artigo que escrevo neste blog, são dedicados à minha amiga Catarina Molinari Osório, que é quem me tem ajudado a dar forma aos artigos que escrevo em nome da criatividade. Sem ela, o capítulo XII não existiria assim como o conhecemos pela presente.


Responsive image

Imaginação é a chave para o teu Eden - Part II

"A tua imaginação é a chave para a criação, sendo que nada foi alguma vez criado sem fazeres uso da imaginação pois sem esta não consegues cozinhar o simples jantar de hoje e muito provavelmente a esperança do amanha.” - Diana Castle

A esperança para o amanhã tem muito a ver com encontrar “O rio que flui em ti” e que também “flui em mim” tendo em conta a famosa citação de Kabir, um dos grandes poetas místicos ou santos da Índia medieval. (Grande mestre responsável pela fusão de “bhaki” Hindu e o sufismo muçulmano).

Temos a tendência de pensar negativamente sobre nós próprios. Todos tememos eventualmente que a jangada encha e fique sobre sobrelotada ao ponto de alguém ter de saltar fora para que os outros consigam sobreviver. O mais engraçado é que a maior parte dos artistas até começa por imaginar e por projetar o seu o filme à priori, o momento certo e até hora a deve chegar, para alcáçar os seus sonhos e objectivos exatamente por ver, sentir ou pressentir esta fonte imaginaria dentro de si, começa por criar mundos e situações imaginarias que até passam a acontecer no mundo real mas na maior parte das vezes, na realidade não acontecem exatamente como imaginaram. Começam por esperança mas a meio do caminho as coisas mudam pois de repente passam a temer a própria esperança inicial o que inevitavelmente os acaba por deitar abaixo. Os artistas têm esta tendência de pensar nos seus desejos como únicos e egoístas e na maior parte das vezes imaginam que para seguir os seus sonhos de porcaria é impensável não terem de desistir de alguém ou quem sabe qualquer outra coisa. Quando nos relembramos das nossas inspirações criativas que secretamente acabamos por deixar para trás sempre arranjamos mil e uma razões para não conseguimos ouvir ou seguir o bater do nosso coração. Normalmente temos medo de magoar alguém por decidirmos seguir o nosso sonho egoísta, ou então simplesmente pensamos que este seja impossível de concretizar. Talvez seja um meio ou indústria difícil ou aquilo que teremos de sacrificar é demais pois nós nem somos suficientes para fazer face ou parte da tal elite referida por Natalie Goldberg como “os poucos especiais atingidos por um raio”. No entanto, as boas noticias são que essa elite na realidade não existe pois cada pessoa tem dentro de si a sua própria fonte de criatividade e o seu próprio jardim por explorar. Por isso ao invés de tentar identificar quem são os génios deste mundo talvez seja tempo de começar a potencializar os vários génios que de facto já se encontram ao nosso redor dia após dia.

Enquanto artista fui sempre uma pessoa que transbordava empatia para com os outros, com o ser humano e essa era a base da minha representação como atriz, no entanto, apesar da imaginação e empatia me chegar facilmente depois não sabia ao certo como deveria fazer uso desta ou pelo menos não o fazia de maneira correta. Faltavam-me constantemente as palavras, ou baralhava-as por completo devido à minha falta de precisão e débil execução.... Quanto mais eu desejava ser perfeita, mais me sentia nervosa e falhada. Passei uma vida em busca de validação pois era para mim demasiado importante, vender todas estas contradições. No entanto, tudo o que eu conseguia pensar era o tonta” que eu iria eu parecer e como toda a gente me iria tomar como “estúpida” por me estar a me submeter a essa exposição. Até que um dia me apercebi que o caminho até aqui não tinha mais saída e que se calhar o real perigo poderia estar de facto, não só nas pessoas mas também em mim própria pelo facto de repetir constantemente os mesmos padrões ou tendências até então inconscientes. Assim foi, que uma vez , em Bali, disseram –me que eu tinha de encontrar o meu centro. Centro este que me trouxesse o reencontro com o meu eu e o meu próprio caminho. Caminho este que procurava atingir um nível de sabedoria que transcendesse o meu próprio ego, de modo a dar “asas” e a forma ao meu sonho. Sonho ou criação esta que por um lado tivesse benéficos para os outros e que eu pudesse contribuir com as minhas energias criativas para o bem estar da humanidade. A minha viagem a Bali foi marcada por isso mesmo; pela aceitação da pessoa singular que existia em mim, bem como me foi me proposto construir o meu próprio padrão que servisse de modelo para outros. Não foi um caminho fácil a seguir e a pergunta que surgia vezes sem conta era “como desapegar-me da minha própria mente?” e “como controlar o nível de apego pelas pessoas?” Como escorpião que sou, os meus sentimentos para com as pessoas são profundos e por vezes mais profundos do que a situação merece, pois eu puxo o acelerador! Não falta de nada “god bless me” mas tenho sim um excesso. Um excesso de emoção, de pensamentos, de mente. Por isso facilmente inventava pessoas, situações e circunstâncias. Na vida real encontrava-me com estas pessoas ou circunstâncias que por vezes continuam a personificar essas tais pessoas que eu invento. Como artista bloqueada, energias fortes e apaixonantes, já era habito meu oferecer-me como sacrifício perante o que fosse. Assim dirigia as minhas energias a uma pessoa, ou trabalho (talvez em demasia) e essa pessoa ou esse trabalho com aquilo, que eu me apresentava não conseguia, ou não tinha a capacidade de entender a profundidade das promessas que eu incorporava dentro daquele meu lançamento “viciado” por isso a meio caminho as minhas energias esgotavam-se e passado uns tempos pensava que o meu lançamento não era se não uma meta falsa. A minha aventura ou “fora de pista” começou por aqui. Começou pela minha necessidade de encontrar uma forma de conseguir lidar com estes pensamentos criativos como projetos reais bem como tentar descriminar entre a qualidade de ideias e a qualidade das pessoas, pois só desta forma o mundo se poderia tornar a meu favor. Caso contrario corria o risco de inventar + projetos + pessoas que eu pudesse tolerar o que me poderia trazer nervosismo e complicações ao máximo. No entanto, a minha preocupação principal de inicio, centrava-se no facto de conseguir encontrar um caminho espiritual no qual eu pudesse sintetizar a minha vida sensual. Para isso necessitava de um magnetismo maior que o meu, que transcendesse as minhas pessoas, paixões e atratividade pelo qual pudesse criar um campo de serviço onde talvez pudesse sim, ganhar dinheiro e posição na sociedade, mas a cima de tudo, fazer o meu melhor e não me perder nas pessoas. Necessitava de encontrar talvez um deus , o meu deus, fosse este Jesus, Maomé, Buda, talvez um anjo, o universo ou simplesmente um magnetismo maior pois facilmente me perdia dentro dos meus próprios pensamentos, ações ou sensações aceleradas, como uma roda em movimento por isso objetivar as ações e o movimento da minha mente, para não perder a objectividade, bem como identificar e considerar os limites em cada situação eram para mim essenciais e ponto de partida neste meu encontro com a espiritualidade.