Capítulo XII

Queridos Amigos,

Como alguns sabem, sou uma rapariga de talentos variados e o meu coração acelerado fala através da criatividade por isso o Capítulo XII é a extensão desse mundo "global /universal" que carrego comigo e que vem de dentro. É neste contexto, que empresto a minha voz de Artista pelos Artistas, em nome da criatividade, dando “asas” e forma ao meu sonho (extensão do meu ser) ao mesmo tempo que espero contribuir com "algo criativo" e benéfico o suficiente para todo e qualquer Artista ou forma de arte. Pois acredito que através da criatividade, seja ela como for é possível criar "algo" suficientemente importante e intemporal do qual possamos chamar arte.


Responsive image

Capítulo XII

Primeiro artigo em Prol do Artista e da criatividade

O público em geral recebe de forma "arrogante" alguém que lhes diga que é Artista, especialmente quando ainda não é conhecido, não é artista de sucesso, ou não apresenta qualquer tipo de trabalho validado por outrem enquanto Arte dentro de um sistema, indústria ou plataforma artística que normalmente está associado a um certo tipo de estatuto, visibilidade ou remuneração. No entanto, quando alguém se intitula de Artista, a recepção desta "informação personalizada" é imediatamente recebida por outros (na sua mente) como uma interpretação, ideia ou imagem de certa forma preconcebida que o Artista possui qualquer tipo de super poder, que de certa maneira, o faz ser superior perante outro quando este é associado ao acto de criação na maior parte das vezes dado ou entendido como genial, mas supérfluo. Portanto o Artista é visto como um inventor que inventa e que facilmente pode ser falso ou verdadeiro mas é visto como talentoso, virtuoso ou criador de algo suficientemente importante e significativo ao qual podemos chamar arte. "Arte" esta, sempre submetida a certo tipo de julgamento de valor e percepção do que é considerado beleza sublime. No entanto, A ideia de obra de arte e criação vai mais de encontro com a produção de emoções variadas através das várias formas de arte e da técnica artística. A noção de arte e o significado da palavra "Artista" mudou ao longo da história mas se pesquisarmos sobre a sua origem iremos encontrar a definição do termo Artista associado ao que se entende por arte. "Ars, como palavra latina, é a arte ou expressão de sentimentos, emoções e ideias através de recursos plásticos, linguísticos ou de som. O conceito permite abranger criações feitas por seres humanos para expressar sua visão sensível do mundo real ou imaginário" ....

Mas será realmente arrogante, hipócrita ou irónico dizer que se é artista sem resultados à vista?

Eu penso que não. É aquela velha história que se estás à espera que alguém te encontre e te diga tu és um artista bem podes esperar sentado...da mesma forma como esperar pelo príncipe encantado, o artista ao pensar sobre a eventualidade que alguém o encontrará ao virar da esquina e o torne numa "estrela" é a partida um mau princípio, apesar de não ser impossível. Por isso, na minha opinião são artistas, sim, todos aqueles que põem diariamente em prática a sua criatividade seja ela de que maneira for.

Hoje em dia, existe uma tendência para se confundir auto-estima (apreço e valorização que uma pessoa confere a si própria) com amor próprio (sentimento de dignidade ou respeito que uma pessoa tem por si própria). No entanto, o coração humano funciona através do amor, relações amorosas, aceitação, compaixão, culpa, perdão, harmonia, paz, renovação e crescimento que não tem nada que ver com firmeza, determinação, poder pessoal, conhecimento, inteligência, curiosidade, objectividade, control, perspicácia, talento, sabedoria ou consciência. Tem sim a ver com a circulação sanguínea, aparelho respiratório e sistema imunitário. Daí que não é difícil entender como a falta de amor próprio pode eventualmente causar problemas respiratórios, cardíacos, pulmonares, medo ou depressões, quando associados à algum de tipo de pressão ou insuficiência. O criativo é por vezes rotulado de vítima, por estar sujeito a riscos, dedicar-se em extremo perante alguém, causa ou entidade ou até se oferecer por sacrifício. No entanto a criatividade não é isso. A Arte que advém do coração e do amor, não se intelectualiza mas sente-se e, por isso, deve nascer de algo genuíno, algo que dá prazer e, como consequência, é divertido e excitante embarcar nesta viagem ou experiência sem destino.

A Arte passa por criar algo que as pessoas não mostram no seu dia a dia mas sentem. Norma Jean Harris costumava dizer que " a arte não reproduz aquilo que nos é à partida visível (tangível) mas sim naquilo que se torna visível" a criatividade começa a partir de cada um de nós e esse "algo criativo" surge desse processo, viagem ou fora de pista, que nos transporta para um mundo sensorial e esotérico. Esse mundo ao qual acedemos através da criatividade leva-nos a viver uma experiência emocional e põe-nos em contacto com as nossas emoções, estados de espírito e por aí fora. Este processo de criação está directamente ligado ao que está dentro de nós. Quando através da criatividade, nos propomos a explorar aquilo que é verdade e nos dá prazer somos capazes de transcender o nosso próprio ego quando esse elemento criativo passa a intenção e consequente extensão, linha condutora ou propósito maior. Por isso Claudia Black diz que devemos confiar mais na nossa intuição pois a nossa percepção, os nossos instintos "são mais significativos do que aquilo que estamos dispostos a acreditar"

O processo criativo é subjectivo e por isso impossível de analisar uma única razão pela qual sentimos paz ou satisfação ao alcançarmos esse "estado", "lugar" ou "canal" a que acedemos através da criatividade, mas há quem se refira a este lugar como sendo o mesmo onde os amantes se encontram, onde acção está e onde todos nós secretamente desejamos chegar.

"Criatividade requer a coragem de saber lidar com a incerteza" diz Erich Fromm pois os resultados da nossa criatividade nem sempre são aqueles que esperamos que aconteçam no tempo e hora programada. Por isso, Julia Cameron, insiste muito que o foco no resultado ao invés de no processo acaba por criar uma certa pressão sobre nós e como consequência destruir o nosso processo criativo enquanto algo divertido e que nos dá prazer. Consequentemente duvidámos "se realmente vale a pena submeter ou não a certo e determinado tipo de trabalho". Isto no fundo, faz-nos questionar e talvez pôr em causa a nossa performance no sentido em que passamos a ter receio de nos colocarmos em cheque, pelo facto de passarmos a pôr em causa as nossas capacidades intelectuais e artísticas e se seremos ou não capazes de certos e determinados "desafios e avaliações " ao qual nos são impostos por outrem. Só que, "a criatividade não advém do nosso próprio ego". De acordo com Júlia Cameron, o nosso ego é o que verdadeiramente nos bloqueia e nos impede de seguir em frente, sobretudo quando pensamos que só vale a pena ser artista, se realmente conseguirmos ganhar dinheiro suficiente ou se pelo menos tivemos a certeza que não vamos ser alvo de críticas ou bullying." Na maior parte das vezes, confundimos o que é mais importante, colocamos as intenções erradas logo à partida o que faz com que o artista entre, de forma inconsciente, numa "espiral" onde reina o negativismo por essa razão, em vez de apreciarmos o processo de criação e nos divertimos apenas com o facto de o fazer, ficamos sim preocupados e apenas focados no seu resultado. Resultado este que faz todo o sentido vir a acontecer como consequência de certo e determinado processo, mas nunca deverá ser um objectivo que leva ao processo. No entanto "todo o ser humano é criativo" diz May Fienco. A capacidade de ser-se criativo está na nossa natureza, faz parte de ser-se humano e em última instância é aquilo que nos diferencia de outros seres vivos. Consequentemente "todo o ser humano é artista" afirma Joseph Beuy's.

Julia Cameron acredita que hoje em dia as pessoas em geral privam-se do mais pequeno sonho pois estão mais focadas em saber se vão fazer dinheiro com isso pois só se querem comprometer com algo se os outros acharem "bom" o suficiente ou que tenham a certeza que não serão alvos de troça por outros. Segundo a autora, a criatividade não tem nada que ver com o "talento" que essa pessoa tem mas sim tem que ver com a forma como esta é recebida da parte de outrem. A criatividade é no fundo a criança festiva e inconsequente que existe dentro de cada um de nós, no entanto existem seres humanos mais talentosos do que outros mas é também verdade que existem pessoas que são extremamente criativas e o seu talento nunca foi desenvolvido. Às vezes o artista já nasce dentro de uma família criativa e conhece o seu mentor desde cedo e isso é um suporte mas por vezes o embrião da criatividade pode também estar dentro de alguém cuja a família foge "a sete pés" das artes e de situações mais esotéricas. Neste caso é possível que essa pessoa possa ser castigada, por eventualmente, pensar ou expressar a sua vontade de criar. E perante isto a constante questão que o artista se faz a si próprio é: "e se eu arriscar será que as pessoas vão aceitar-me de volta caso eu falhe?

O que é realmente necessário é acreditar em alguma coisa mais forte que nós, que transcenda o nosso ego, as nossas pessoas, os nossos amores e cegamente nos deixarmos ir como se tivéssemos real talento. Segundo consta, existem milhares de artistas frustrados e a percentagem dos que estão bloqueados é maior do que os que têm sucesso e esse é um ponto de vista válido. No entanto se a tragédia de uma "vida" passa a ser o facto de não ter tido a coragem de seguir o seu sonho ai é que inevitável será não acabar frustrada.

RWE avalia que "a beleza do amor" por algo belo ou sublime (no sentido de apreciar alguma coisa feita com amor) é degustação mas a "criação de beleza" em si isso "é arte".

Einstein fala mais em "brincar" e na criatividade como fosse " inteligência a divirta-se" e por isso deve ser "livre de qualquer tipo de especulações" segundo Steven Nachnenovitchbut. Joseph Hilton Pearce dizia que para "viver uma vida criativa devemos perder o medo de errar" e um dos melhores exemplos disso é o próprio Albert Einstein, que tentou noventa e nove vezes submeter a sua "teoria da relatividade" e falhou mas à centésima vez conseguiu. Este, aconselhava que "o melhor é nunca desistir dos nossos objectivos mesmo que eles parecem impossíveis a próxima tentativa será virtuosa".

J K Rowling e obra Harry Potter conhecida por todos nós é outro exemplo (mais recente) de artista e obra de arte que nunca desistiu da sua criação e do processo criativo antes de qualquer tipo de reconhecimento. A emblemática obra "Harry Potter" por exemplo foi rejeitada doze vezes antes de se tornar num sucesso de vendas. No entanto a mesma obra que falhou também acabou por fazer de J.K. Rowling ser reconhecida. Hoje em dia a saga Harry Potter é composta por sete livros, também readaptados ao cinema e conhecida no mundo inteiro. O que quer dizer que durante esses anos que J.K. Rowling tentou e falhou (porque o mundo não aceitava aquele manuscrito enquanto obra de arte) não quis dizer efectivamente que o livro e posteriormente toda a obra Harry Potter em si não fosse verdadeiramente uma verdadeira obra de arte e ela uma artista. Não interessa se a tua criatividade é ou não aceite perante a sociedade pois na verdade nunca sabemos ao certo o que o futuro nos reserva. J. K Rowling demorou oito anos de "nãos" após ter terminado a trilogia Harry Potter e mesmo no dia que finalmente a vendeu, mesmo assim saiu da editora com o aviso de que talvez fosse melhor arranjar um "trabalho durante o dia" pois até à época se acreditava que não seria possível fazer-se muito dinheiro a escrever livros infantis... Rowling conseguiu provar o contrário mas isso também só aconteceu após a publicação de “Harry Potter and the sorcerer's stone".

J. K Rowling é para mim o perfeito exemplo de uma Artista aparentemente desempregada e com uma filha por criar que se tornou numa das mais conceituadas autoras de escrita infantil de todos os tempos e o facto de ela nunca ter deixado de acreditar em si própria e naquilo que eu vejo como processo criativo neste trabalho diário do Artista tem perante a sua criação seja esta qual for e de que maneira, resultou naquilo que hoje é facto e está à vista de quem o quiser ver, de que é possível tornar algo aparentemente irreal em algo suficientemente significativo e intemporal no aqui e agora sem antes ter sido validado por outrem enquanto obra de arte de sucesso indiscutível. E ela própria diz que esses obstáculos que teve ao longo de todo o seu processo enquanto criadora muitas vezes visto como rejeições ou falhas por outrem apenas a fizeram mais forte no entanto foi só quanto ela deixou de tentar ser mais para além daquilo que já era e que tinha dentro de si ( no sentido que deixou de tentar agradar outros , situação onde ela se sentia um tanto vulnerável pela falta de controlo de certo e determinado tipo de feedback que vinha de fora) para se agradar a ela primeiro. Só quando ela se permitiu ouvir seu coração é que realmente conseguiu dar a volta e reunir energias ou forças suficientes para se agarrar com unhas e dentes à aquilo que verdadeiramente estava sob o seu controle e significava tudo para ela... e isto é arte.


When the "shit" hits the "fan"...

Já Einstein dizia que “A imaginação é mais importante que o conhecimento”. Enquanto que o conhecimento é limitado, a imaginação envolve o mundo. Eu pessoalmente penso ainda não ter atingido este estado de liberdade, mas as minhas crenças vão nesse sentido, portanto para lá caminho. A autora Júlia Cameron acredita que "à semelhança da vida humana, a criatividade começa na escuridão". Em analogia ao tema que José Saramago relata na sua obra Ensaio sobre a Cegueira e em alinhamento com as palavras acima descritas pela autora Julia Cameron, parece-me que o processo criativo começa da mesma forma como viemos ao mundo; ao longo do tempo somos expostos à luz que normalmente tende a aumentar, mas mesmo assim por vezes passamos por "cegos" no nosso quotidiano, e o mesmo acontece com o nosso amor, que também muitas vezes é cego, e portanto talvez pela mesma razão podemos considerar que a criatividade é cega, assim como é o amor. A questão é saber se esses estranhos amantes, conseguem também encontrar-se à noite, ou no escuro. A criatividade é como o amor; pode cegar-nos bem como elucidar-nos. É um sentimento que se estranha, mas que depois acaba por se entranhar profundamente.

Para alguns, a criatividade desvanece com o passar do tempo, e sem qualquer explicação lógica deixa de fazer parte das suas vidas, enquanto para outros, esta aptidão está simplesmente adormecida, perdida, e por vezes esquecida, mas claro que a qualquer momento pode revelar-se, mesmo que apareça apenas sob a forma de lusco-fusco durante uma noite. Por último, existe uma outra forma de criatividade, a qual Dante designa de "floresta escura" na sua obra Inferno; um lugar em que nada brilha e que acaba por cessar, pois a sua vida tinha deixado de seguir esse caminho. No entanto, foi neste fora de pista, a que Dante chama de "limbo", o lugar sem saída onde se sentiu perdido, e se deparou com um possível final que acabou por o levar a um recomeço. Consequentemente, o caminho certo a seguir em direção ao paraíso emergiu. A criatividade por vezes é evidentemente divina, e por outras endemoninhada. Consegue apaixonar enquanto também tortura, e nestes momentos, podemos escolher ver, ouvir e sentir, ou simplesmente ignorar esta "floresta selvagem" a qual Dante se referiu, pois, o véu que nos cega, normalmente acaba por cair durante o caminho da nossa jornada. Este tipo de sentimento conheço eu bem, mas mais uma vez, apenas aqui cheguei para me aperceber que derradeiramente apenas me situo perante as seguintes questões:

O que é efectivamente a criatividade e a habilidade de conseguir criar ou de transcender as ideias mais tradicionais sobre regras, padrões, e relacionamentos; e de que forma é possível dar significado a todas estas ideias, configurações, métodos bem como interpretações que ocorrem ou se originam dentro de nós? Será que a criatividade é um estado que se alcança, ou será que é uma qualidade que advém da capacidade de sermos criativos por natureza? E quais são as diferenças entre ser criativo e ser artista? Será que estes conceitos se sobrepõem? Será que o processo de criação ou criatividade é formado com o propósito de criar algo, seja este um pensamento, expressão ou imaginação que resulta em arte, em inovação, ou até mesmo em ciência?

Tendo em conta que o processo criativo é o que dá asas à nossa imaginação através de pensamentos ou formas de expressão que consequentemente dão origem a novas configurações ou obras de arte bem como inovações, podemos dizer que a criatividade poderá funcionar como veículo em direção a um maior nível de sabedoria e de conhecimento. Consequentemente, a criatividade é o motor de arranque facilitador do combustível, que no fundo faz com que tudo o resto seja possível. No entanto estas mesmas ferramentas que nos estimulam "o cérebro" no sentido de querer contemplar a arte e que nos dão expressão, também conseguem facilmente distorcer a nossa perceção do mundo e da própria realidade onde vivemos. O lado mais negro da criatividade pode mesmo corromper e até manipular populações inteiras de forma subversiva, logo sobeja saber como utilizá-la da melhor forma e com bom senso.

Tal como acontece no reino floral, existem seres humanos que se adaptam a qualquer tipo de solo, também existem outros seres que intitulo de "orquídeas", e que apenas vingam em certos ambientes ou climas. Contudo, isto não quer efectivamente dizer que este padrão do tipo "orquídea" não seja capaz de contribuir com as suas mentes atípicas em diversas áreas do âmbito criativo. O seu processo ou forma de desabrochar ocorre de forma mais intuitiva e selectiva, e por isso é apenas diferente daqueles que utilizam um caminho mais metódico e racional, pelas suas aptidões de célere execução.

A autora Gail Saltz, afirma que a maior parte dos "grandes génios da história da humanidade sofreram" e na actualidade continuam "a viver vidas sofridas", porém este "sofrimento nem sempre advém apenas de doença mental ou física". Na maior parte dos casos é "consequência de estas pessoas se sentirem rejeitadas" ou renegadas perante outros, "por serem vistos como diferentes", o que acaba por "levá-los ao isolamento", bem como a "serem privados de amar" e serem-se igualmente amados. No entanto, em reflexão eu diria que o problema advém da nossa relutância ou adaptação lenta à mudança; ao que é díspar ou incerto, e até mesmo à doença, que nos acaba por afastar muitas vezes de quem nos é querido, talvez por medo, receio de perda ou até por amar demais. Por isso este tipo de pessoa "orquídea" por vezes mais conhecidos por génios, criativos ou artistas, segundo Saltz, ainda hoje "mudam o nosso mundo com a sua arte ou sob formas inovadoras, mas continuam a carecer de aceitação, conforto, apoio por parte dos que os rodeiam". De facto, a questão das relações entre a criatividade e as doenças mentais começa pela visão distorcida de que para ser artista, será necessário ser louco, mas esta noção de loucura é sempre vaga, mal definida, que vai desde o comportamento e o pensamento desorganizado, até à falsa crença de que o processo criativo é responsável pelos comportamentos mais perturbadores de certos artistas, criativos ou génios. O perigo inerente está realmente ao nosso redor, e muitas vezes nas próprias pessoas com quem convivemos no nosso quotidiano. Dento do mesmo entendimento, o autor Rudyard Kipling refere as palavras como "a droga mais poderosa utilizada pela espécie humana", e como resultante será necessário melhorar a forma como comunicamos e a classificação de cada um destes conceitos que se abordam pela presente.

O artista é a pessoa com aptidões intuitivas e por isso mais direcionado para agir no seio da actividade criativa inserida no âmbito visual; sob a forma de pintura, escultura, desenho, fotografia, iluminação e assim sucessivamente, que pode ou não requerer de aptidões gráficas/ arquitetónicas ou de artes performativas que vão desde o teatro até à música, dança como forma de espetáculo, até a utilização de plataformas ou os média tal como a rádio, a televisão, cinema ou a internet. O artista é também aquele que apresenta um "certo jeito com as mãos", e a capacidade de destreza com trabalhos manuais que abrangem o restaurador, o chef de cozinha, o estilista da moda, o decorador de interiores, entre outros cargos. Tal como o compositor é considerado um artista seja este compositor de melodia à escrita sob a forma de escrita musical, de mistura ou então contador de histórias sejam elas sob a forma de romance, à tragédia, passando pela comédia ou qualquer outro tipo de temáticas ou conteúdos narrativos independentes do seu formato ou meio de expressão /comunicação. Por último o artista é visto criador, genreador, produtor, iniciante, inventor ou fundador de determinado tipo de pensamento ou processo original, que consequentemente é visto como um criativo, especialista ou génio em determinada matéria ou área de intervenção.

O criativo é conhecido como uma pessoa talentosa, virtuosa e original. Este requere que o próprio utilize o processo criativo ou de criação, que pode ser ou não gerado através do maior ou menor conhecimento, sendo que este poderá ser factual, histórico ou mais intuitivo, através do recurso à imaginação ou à ficção, que pode ir desde a poesia até à representação da tragédia ou da comédia, mas que origina ideias, percepções ou formas de expressão originais. decorrentes de uma viagem mental normalmente associada ao pensamento brilhante, sabedoria singular, diferente ou excecional. Portanto o criativo na sua essência é um ser artista que aplica o seu conhecimento ou imaginação sob forma singular e extraordinária em qualquer uma das áreas, sejam estas artísticas, científicas ou tecnológicas.

Este meu artigo tem com objectivo dar uma voz de artista para o artista, e em prol de todos os artistas que desempenhem actividades no uso da sua criatividade; incluindo os criativos que usam de forma regular ou irregular a sua criatividade ou processo de criação, estejam eles mesmo conscientes ou não da sua utilização. Tal é aplicável a qualquer artista em essência, mas que por algum motivo não está a conseguir exercer as suas aptidões criativas, por se encontrarem tremidas, esquecidas, adormecidas, questionadas ou bloqueadas.

A autora Gail Saltz relata que a noção de "artista torturado é uma invenção humana" e não emerge dos efeitos de uma aparente doença" mas da "reação de terceiros perante a doença ou diferença" que estes artistas podem eventualmente transparecer para o mundo exterior. Esta perspectiva reafirma que "todas as mentes, ou seja toda e qualquer vida humana tem potencial" Então eu diria que se calhar deveríamos começar por deixar de "arrumar para o canto" certo e determinado "padrão" de pessoas no mundo que nos rodeia. Abrirmos os nossos horizontes começa pela aceitação da diferença, que começa pelo respeito por cada indivíduo, até saber identificar, desmistificar e como consequente aprender a lidar com todo e qualquer tipo de diferença ou realidade de forma mais consciente, ou pelo menos utilizando o nosso bom senso da melhor forma possível. Deveremos deixar o preconceito de lado e acabar com pressuposto de que a criatividade e o processo criativo onde esta se envolve, é algo perigoso ou duvidoso, bem como revelar falsas crenças criadas pela sociedade, que estão intrínsecas nas nossas culturas, países, religião, política ou sistemas de valores individuais. Na maior parte das vezes em que se fala de neuroses terá muito mais a ver com o facto da pessoa estar bloqueada na sua criatividade do que o contrário. Deveremos então encorajar o génio que há em cada um de nós ao invés de diferenciar os que são capazes dos que aparentemente não são. A comparação neste caso é condenável, e segundo Gail Saltz, excluir à partida todos aqueles que saem "fora do modelo estipulado" como normal não é "apenas cruel mas um desperdício a nível colectivo". Portanto o nosso conhecimento sobre como lidar e actuar perante estas diferenças entre serem humanos pode não só aumentar a possibilidade de mais génios se emanciparem neste mundo, bem como contribuir para a qualidade de vida de milhares de pessoas que vivem no nosso planeta.

Portanto "when the shit hits the fan" vai muito mais de encontro a conscientização de cada um, bem como a possibilidade de integração de questões mais herméticas, mas acima de tudo saber distinguir Marte do planeta Júpiter. Pois a criatividade é isto mesmo; é algo maior do que nós que é livre, universal, e em última análise é user friendly e ouve diariamente tanto as nossas confissões, assim como os nossos pedidos. A criatividade é aquilo que nos conecta às nossas emoções, intenções, que dá forma às nossas vidas e nos regenera. A criatividade que vem de dentro envolve crença e espiritualidade, que segundo Julia Cameron é "verdadeiramente aquilo que nos une e nos dá vida"...

De acordo com o Astrólogo Nuno Michaels, "a vida é um yoga permanente, e não é indispensável mas útil fazer as prana ásanas, as respirações da pratica, mas não podemos fazer yoga e depois ir para a rua e sermos uns "Anas". A vida é um yoga, as frustrações, as ásanas, respeitar e observar o ciclo da manifestação é pranayama". Para mim a criatividade é tudo isto, é esta giga-joga ao qual eu gosto de chamar, yoga da vida. Escusado será dizer que artista que é artista não funciona sem o seu yoga e muito menos sem a ajuda de "Deus", seja em que forma de divindade que for significativa para cada um. Para Julia Cameron, Deus é o que funciona e refere se a este pelo nome de criador. No entanto para quem é ateu a palavra criador pode significar artista, e portanto para a autora, Deus também ele é um Artista. Sendo que Deus é o grande criador dos céus e da terra, e por sua vez o artista é alguém que cria algo suficiente significativo e por vezes intemporal para outrem, normalmente direcionado ao acto de criar, então de facto Deus só pode ser um artista. Diria então que em beneficio da criatividade no mundo, a mudança terá de chegar a partir de agora, e portanto será importante falar de Artista para Artista, do início até ao fim.